domingo, 31 de janeiro de 2010

A Beleza das Pin-Ups


Découvrez la playlist pin ups avec Glen Miller

Se quiser ouvir as músicas
que eu escolhi para acompanhar
esta postagem, é só clicar no play.

Nesses últimos dias,não sei bem por quê,
fui perseguida por pin-ups:
uma conversa com alguém que nunca
 tinha ouvido falar delas,
o desejo de ter um cabelão
( quer coisa mais tendenciosa a 
atender os imaginários desejos masculinos,
que devem ter origem na idade da pedra, 
já que arrastavam suas fêmeas pelos cabelos,
mas isso é outra história!),
uma revista de fotografia que 
ensina a fazer pin-ups no Photoshop,
que vejo sobre a mesa ao chegar em casa,


e aproveitei a deixa para
pesquisar para esta postagem
sobre esses símbolos da cultura pop
e do ideal da beleza americana.

"OOps! Deixei cair a minha calcinha..."
Exclama uma linda garota, com uma perna para cima
e os seios arrebitados.

Imagem via FashionBubles

Sexy, sorridente e bobinha, tal é o


estereótipo da pin-up.
Uma garota de papel que os
esportistas nos vestiários ou
os soldados nos quartéis,
penduravam por meio de alfinetes
( to pin-up) há mais de 1 século.


Seja ela desenhada ou fotografada,
em uma revista ou em um calendário, 
a pin-up não é uma mulher de verdade,
e sim uma fantasia:
ela é feita para ser devorada
com os olhos, e não para casar!



O artista plástico peruano Alberto Vargas (1896-1982) 
praticamente criou o conceito pop das pin-ups. 
Desde sua chegada a Nova York em 1916 
ele ficou fascinado pela beleza e estilo 
das garotas americanas e passou a retratá-las.


Nos anos 40, a revista Esquire 
publicou um calendário com as garotas 
criadas por Vargas (Varga Girls)
 que virou um sucesso imediato.
 As garotas e o artista tornaram-se 
conhecidos mundialmente e, 
durante os anos da Segunda Guerra Mundial,
 as pin-ups de Vargas viraram símbolos patrióticos
 e estímulo aos soldados americanos.



A pin-up está sempre desnudada,
porém raramente nua.
Isso porque o gênero pin-up,
também chamado do "cheesecake"
(tradução literal: bolo de queijo,
mas o significado é algo como "pitéu"),
é essencialmente pudico.


A pin-up mais célebre do século 20,
Marilyn Monroe, contribuiu de forma
considerável para impor o clichê
da boneca loira, passiva e inocente,
à espera do amor e proteção do homem.

Marilyn Monroe
Imagem via Fashion Bubles

Entretanto, "a pin-up não é um símbolo 
mais misógino do que qualquer 
outro no campo artístico",
afirma Maria Buszek, autora do livro
 "Pin-up Grrrls - Feminism, Sexuality, 
Popular Culture"(2006) e mestre de conferências 
no Kansas City Art Institute.
"Ela refletiu ao mesmo tempo as atitudes
 vis-à-vis da sexualidade feminina
 e as eperanças de mudança."



Continuando a nossa história, 
após uma temporada bem-sucedida na Esquire,
 Vargas,  tornou-se o principal ilustrador 
da revista Playboy,
 que desde o seu lançamento em 1953 
foi uma das maiores divulgadoras das pin-ups.


Com a vertiginosa ascensão da cultura pop 
e do american way of life nos anos seguintes 
ao final da Segunda Guerra, 
a beleza e o estilo das pin-ups criadas por Vargas 
ganharam novas versões em 
diferentes estéticas e em outras culturas.


Heidy Anglesey
Imagem via HowStuffWorks

O cinema – não só o americano, mas também o europeu
 – foi uma das manifestações artísticas 
que incorporou as pin-ups ao seu universo.

Em Hollywood, destacaram-se atrizes 
como Marilyn Monroe e Jayne Mansfield,
 enquanto na Europa surgiram Sophia Loren
 e Brigitte Bardot.

Marilyn Monroe

Elke Sommer

 Brigitte Bardot 

Dorothy Lamour

Shelley Winters
via Rolling Stones

Sophia Loren

 Em todas elas o padrão das pin-ups 
popularizadas pelas ilustrações de Vargas permaneceu:
 mulheres bonitas com seios volumosos,
cinturas finas, quadris bem delineados, 
pernas torneadas e ar sensual. 

Além disso, tanto nas ilustrações e fotos
 das revistas masculinas como no cinema, 
o erotismo leve era um dos 
principais atributos das pin-ups.


Nos anos 50, surgiu a garota que se tornaria
 um ícone das pin-ups e da cultura pop. 
Bettie Page teve uma infância e adolescência 
de dificuldades em Nashville, 
nas quais passava o tempo imitando
 suas atrizes de cinema favoritas. 

Bettie Page
via Rolling Stones

Apesar de trabalhar como modelo
 desde os 20 anos de idade em San Francisco,
 foi somente quando se mudou para Nova York,
 com 27 anos, que Bettie entrou para a galeria 
das garotas mais sensuais ao virar modelo
 de fotógrafos como Jan Caldwell, H.W. Hannau
 e Bunny Yeager. 

Bettie Page , por Cinemorfose

Suas aparições na Playboy, em calendários,
 cartas de baralho, outdoors 
e vários outros produtos em situações provocantes 
a tornou a “rainha das pin-ups”.
Imagem do site oficial de  Bettie Page

Com o surgimento da Pop Arte nos anos 60 
a fusão de pin-ups com a nova estética foi imediata.
 Os calendários, cartões e maços de cigarros 
que traziam as pin-ups eram elementos 
perfeitos para inspirarem os artistas pop.


Sinalização de praia da Califórnia com pin-up girl
imagem via HowStuffWorks

Imagem via Quotidien Life 

 Primeiro, porque a Pop Art fez uma 
crítica irônica da dominação que 
os objetos de consumo 
passaram a exercer sobre a sociedade e, 
depois, porque conceitualmente,
 um dos objetivos da Pop Arte 
era o da transformação 
do vulgar em refinado. 


Assim, a imagem de Marilyn Monroe, por exemplo,
 foi imortalizada em quadros de Andy Warhol,
 o papa da Pop Arte. 
Além de Warhol, dois dos principais artistas pop 
a utilizarem as pin-ups em suas obras foram 
Roy Lichtenstein e Mel Ramos.

Ilustração de Roy Lichtenstein

A partir dos anos 70 com uma maior liberalização
 dos costumes e o avanço da 
indústria da pornografia, 
as pin-ups perderam bastante do seu espaço, 
já que as  são, como dissemos antes,
fundamentalmente pudicas, e o ato sexual 
é sempre sugerido e nunca consumado.

A partir dos anos 80 o ilustrador japonês 
Hajime Sorayama surge com uma 
versão atualizada e futurista das pin-ups. 
Considerado um novo Alberto Vargas
 na história da ilustração de belas mulheres,
 o artista já teve suas pin-ups usadas 
em campanhas da Sony e da Levi’s, 
além de freqüentarem 
com regularidade as páginas 
da revista masculina Penthouse.

Ilustração de Hajime Sorayama
No Brasil, o fotógrafo Adrian Benedykt 
tem se especializado em retratar 
o renascimento das pin-ups neste novo milênio.
 Em suas imagens a sensualidade, o mistério 
e o glamour das pin-ups tradicionais 
se misturam a uma atitude mais ousada das modelos.








Imagem via Fascinatrixx
Mais do que inspirar os artistas, 
as garotas que têm servido de modelos 
para pin-ups desde os anos 80 têm assumido 
uma postura mais ativa de construção e
 divulgação dessa imagem. 
Imagem via Eurblog
Entre as mais famosas está a modelo, 
performance e atriz Dita Von Teese.
 Inspirada pelas mulheres fatais e pin-ups
 dos filmes hollywoodianos dos anos 30 e 40,
ela recriou a arte do burlesco com suas
 performances sensuais e fetichistas.
Imagem via This is 50s
 Fã confessa de Betty Grable, Marilyn Monroe
 e Rita Hayworth, Von Teese não se encaixa 
nos padrões de beleza das últimas décadas. 
Com seu estilo retrô, 
ela tem se mostrado uma musa elegante,
 sensual e provocativa.
Imagem via Trend Hunter
O sucesso das ilustrações futuristas de
 Hajime Sorayama, das Suicide Girls
e da modelo Dita Von Teese
prova que as pin-ups estão
 novamente em alta na cultura pop
(se é que um dia elas não estiveram). 
A atualização da representação de garotas sensuais
 e com glamour no novo milênio confirma 
que elas não são apenas uma forma de povoar 
o imaginário masculino, mas principalmente 
uma demonstração do poder 
da sexualidade e da beleza feminina na cultura.

Créditos:

Ilustrações de Pin-up Files
Informações para os textos de HowStuffWorks

9 comentários:

Luiz Borges disse...

Você é a minha Elsa Up!
Beijão do teu
Filósofo de Pijamup.

Ivo e Fátima disse...

Aninha

Divertido! E me esclaresceu - eu não sabia que as "meninas" eram chamadas de pin-up em função do pregar na parede com um alfinete. Mais uma pérola da cultura inútil que agrego ao meu imenso cabedal...

Gostei também da tua observação de que a pin-up não é uma mulher de verdade, e sim uma fantasia. Mas o que são as mocinhas (alguma nem tão mocinhas assim) que aparecem na Playboy hoje em dia? Com tanto Photoshop, nenhuma delas mais é de verdade. E duvido que tenha alguma que tenha a coragem de posar "ao natural", sem retoques.

Beijos (no Gafa, abraços)

Solange Honorato disse...

Que conhecidência... ontem meu marido estava me mostrando imagens destas mulheres e de cartazes de publicidade antigos. E aí começamos a lembrar daqueles filmes americanos,dos musicais com aquelas mulheres maravilhosas nos navios, os marinheiros... e foi muito legal. Hoje ao abrir sua página, o que vejo? A Beleza da Pin-Ups. rsrss

Ana Balbinot disse...

Filósofo,
hahahahaha! adorei seu comentário bem humorado e altamente elogisos!
Beijos

Ivinho,
Viu só? Vivendo e aprendendo!
E você tem toda razão, duvido que as garotas de fantasia de hoje aceitem publicar suas fotos sem uma ajudazinha do photoshop!
Beijos nos dois

Solange,
Legal essa coincidência, não? No fundo indica que estamos antenadas!
Beijos

Anocas disse...

Gostei muito deste post! As pin-ups estao a invadir por todo o lado e isso nota-se na imprensa, nas celebridades, na TV, na moda, enfim. Muito interessante saber a história da ingénua "boneca loira". =)

Jonathan disse...

Ana,...
q pesquisa bacana!!!!
Olha q eu tinha determinada noção, mas me impressionei com todas as fontes q buscou e postou,.. não sabia desse artista Japa entre outros comentários!!!! Sempre achei interressante e mais recentemente por causa da minha irmã Ana Paula q idolatra as "pin-up´s". Se posso contribuir para o tema, o estilo pin-up está em voga em muitas mulheres como exemplo minha irmã q gosta de se vestir semelhante, porém não tão nua se me entende, mas com aquela carinha anos 50... vou passar pra ela o link, ela irá adorar! parabéns, grande beijo

Anônimo disse...

Oi Ana!!! Adorei o Post sobre asPin Ups, todas meus ícones de verdade... já estou seguindo e indicando!!! bjbjbjbj
Carol

Fernanda disse...

Nossa, muito interessante o post, gostei muito. Eu adoro as pin-ups!!! E estou sempre tentando incorporar um pouco dessa fantasia no meu visual, acho muito bacana. Batom vermelho sempreeee!!! Maquiagem bem feita, cintura marcada... ai ai ai.. é uma combinação infalível! hsuahsuuahsuahsua Parabéns pela pesquisa, acho só que faltou falar um pouquinho também da diva Katy Perry *.* Ela e Von Teese são os maiores ícones da atualidade no estilo pin-up de ser! bjsss

Ana Balbinot disse...

Oi Fernanda!
Obrigada por sua visita e comentário aqui na Beleza!
Vou procurar saber mais sobre a Katy Perry, e quem sabe ampliar este post, ok?
Beijos