domingo, 19 de setembro de 2010

A Beleza do Ninho

Na semana passada recebi um e-mail
com várias imagens de ninhos.
Imediatamente lembrei do livro
A Poética do Espaço, de Bachelard.

  O espaço do ninho é o tema do quarto capítulo,
 no qual Bachelard tece uma associação das imagens 
do espaço e dos seres que os habitam. 


Logo no inicio do capítulo o autor cita a figura 
de Quasímodo, o habitante da catedral de Notre-Dame. 


Para este personagem, como afirma Victor Hugo,
 a catedral simboliza ao mesmo tempo 
“o ovo, o ninho, a casa, a pátria, o universo” ,
(Hugo apud Bachelard, 1974, p. 414)



ou seja, era sua morada, seu espaço íntimo
Quasímodo sente-se bem em seu refúgio, 
ele toma a forma do edifício.


 Este, por sua vez, funciona como um ninho
 ou uma concha, um abrigo onde ele pode 
“encolher-se no seu canto” . (1974, p. 415)



O ninho recebe, portanto, uma valorização
 de abrigo seguro, de uma construção singular 
que supera todo artifício humano dos construtores. 



O ninho, para os pássaros, 
é a síntese da morada da vida, pois acaba sendo, 
para os filhotes, sua penugem externa, a morada quente.


A alma é tão sensível a essas imagens simples que, 
numa leitura harmônica, ela percebe todas 
as ressonâncias. 

A leitura ao nível dos conceitos seria insípida,
 fria, seria linear. Ela nos obriga a 
compreender as imagens umas após as outras. 

 
E nesse domínio da imagem do ninho 
os traços são todos simples que é de surpreender 
que um poeta possa encantar-se com ela.

 
 Mas a simplicidade produz o esquecimento e,
 subitamente, tem-se gratidão pelo poeta
que encontra num estilo raro,
 o talento de renová-la. (1974, p. 420).

O devaneio da segurança, despertado pela 
casa onírica e o ninho, 
reforça a imagem da casa-ninho enquanto 
possuidora do formato do corpo.

 

A casa cola-se em nós, 
assumindo nossa forma,
 assumindo a função de abrigo e proteção,
 a imagem do nosso canto no mundo.




A casa é, dessa forma, um ninho no mundo; 
um ninho que é o  centro de um mundo (1974, p. 423).


Vemos, com isso, a importância do ninho na imaginação.
Quantas imagens um simples ninho suscita na imaginação humana!

 
É fantástico como o poeta dá continuidade a esta imaginação
 e a esta imagem: o ninho-casa, o ninho-abrigo, 


o ninho-segurança, 



o ninho-alegria, 



o ninho-mundo. 


Mais interessante, ainda, é que estas imagens não terminam, 



uma vez que a imaginação
continua a sonhá-las, a reinventá-las e renová-las.

Agradecimentos:
Rita Celina (que mandou o e-mail)

Centro de Estudos do Imaginário

Imagens da Net.

8 comentários:

Beatriz disse...

Oi Ana,
Olha que já vi vários ninhos em minhas andanças pela natureza, mas nada se compara ao "ninho segurança"...não parece um orelhão de cabeça para baixo??? E viva os pássaros!
bjs,
Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Malu Serra disse...

Oi Ana, gostei muito desta postagem,
parabéns.

Luiz Borges disse...

Nosso lar é o nosso ninho de segurança.
beijão
Filósofo-de-Pijama

Pelos caminhos da vida. disse...

Uma linda postagem.

Passeando pela blogsfera acabei chegando aqui.

Fica aqui o convite para vc Ana conhecer o meu blog, será um prazer te ver Pelos Caminhos da Vida.

Um abraço primaveril.

beijooo.

Bernadete disse...

ACHEI MUITO LINDA ESSA POSTAGEM.
AMO PÁSSAROS!

AnselmaDuarte disse...

Que lindo! que maravilha!! Parabéns!!! BELA postagem. Obrigada pelo momento da perfeição! que Deus te abençõe).Fiquei encantada,alegre e feliz). Bjos

Ana Balbinot disse...

A todos os amigos que deixaram comentários carinhosos, meu muito obrigada!

Flor Larios Art disse...

Nature is incredible beautiful! Adorei!