sábado, 16 de agosto de 2008

A beleza do Art Nouveau




Art Nouveau

Art Nouveau é o estilo artístico que se desenvolve entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) na Europa e nos Estados Unidos, espalhando-se para o resto do mundo, e que interessa mais de perto às artes aplicadas: arquitetura, artes decorativas, design, artes gráficas, mobiliário e outras, e, ao contrário da maioria dos movimentos associados ao movimento modernista , o Art Nouveau não foi dominado pela pintura. Mesmo os pintores mais estreitamente relacionados com o estilo, como Toulouse-Lautrec,

Pierre Bonnard,

e Gustav Klimt,

são mais identificados por seus posters e objetos de decoração.
O Art Nouveau foi o primeiro movimento orientado exclusivamente para o design.
Rene Lalique
Dragonfly Ornament

O termo Art Noveau tem origem na galeria parisiense L'Art Nouveau, aberta em 1895 pelo comerciante de arte e colecionador Siegfried Bing.
O projeto de redecoração da casa de Bing por arquitetos e designers modernos é apresentado na Exposição Universal de Paris de 1900, Art Nouveau Bing, conferindo visibilidade e reconhecimento internacional ao movimento.
A designação modern style, amplamente utilizada na França, reflete as raízes inglesas do novo estilo ornamental. O movimento social e estético inglês Arts and Crafts, liderado por William Morris (1834 - 1896),

Vase with wrens and berries , de William Morris

O Art Nouveau valoriza o trabalho manual e a produção coletiva, segundo o modelo das guildas medievais. Os novos materiais do mundo moderno são amplamente utilizados (o ferro, o vidro e o cimento), assim como são valorizadas a lógica e a racionalidade das ciências e da engenharia.
A fonte de inspiração primeira dos artistas é a natureza, as linhas sinuosas e assimétricas das flores e animais. O movimento da linha assume o primeiro plano dos trabalhos, ditando os contornos das formas e o sentido da construção. Os arabescos e as curvas, complementados pelos tons frios, invadem as ilustrações, o mundo da moda, as fachadas e os interiores, como atestam o balaústre da escada da Casa Solvay, 1894/1899, em Bruxelas, do arquiteto e projetista belga Victor Horta (1861 - 1947);
as cerâmicas e os objetos de vidro do artesão e designer francês Emile Gallé (1846 - 1904);

a fachada do Ateliê Elvira, 1898, em Munique, do alemão August Endell (1871 - 1925);
as luminárias do norte-americano Louis Comfort Tiffany (1848 - 1933);


as pinturas, os vitrais e painéis do holandês Jan Toorop (1858 - 1928); o Castel Beránger e estações de metrô, de Hector Guimard (1867 - 1942), em Paris;
a Casa Milá, 1905/1910, e o Parque Güell, de Antoni Gaudí (1852 - 1926), em Barcelona;


a Villa d'Uccle, 1896, do arquiteto e projetista belga Henry van de Velde (1863 - 1957). Um traço destacado de Van de Velde e de outros arquitetos ligados ao movimento é a idéia modernista da unidade dos projetos, que articula o interno e o externo, a função e a forma, a utilidade e o ornamento. Tanto na sua residência - a Villa d'Uccle - quanto em outros ambientes que constrói - The Havana Company Cigar Store ou a Haby Babershop, 1900, ambas em Berlim -, Van de Velde mobiliza pintores, escultores, decoradores e outros profissionais, que trabalham de modo integrado na construção dos espaços, da estrutura do edifício aos detalhes do acabamento. O Art Nouveau é um estilo eminentemente internacional, com denominações variadas nos diferentes países. Na Alemanha, é chamado jugendstil, em referência à revista Die Jugend, 1896; na Itália, stile liberty; na Espanha, modernista; na Áustria, sezessionstil.

Os três maiores expoentes austríacos do art nouveau, integrantes da Secessão vienense, são o pintor Gustav Klimt (1862 - 1918), o arquiteto Joseph Olbrich (1867 - 1908) - responsável, entre outros, pelo Palácio da Secessão, 1898, em Viena

- e o arquiteto e designer Josef Hoffmann (1870 - 1956), autor dos átrios da Casa Moser, 1901/1903, da Casa Koller, 1902, e do Palácio da Secessão.
Os trabalhos de Klimt são emblemáticos do modo como a pintura se associa diretamente à decoração e à ilustração no art nouveau. Suas figuras femininas, de tom alegórico e forte sensualidade - por exemplo, o retrato de corpo inteiro de Emilie Flöge, 1902, Judite I, 1901, e As Três Idades da Mulher, 1908 -, têm grande impacto em pintores vienenses como Oskar Kokoschka (1886 - 1980) e Egon Schiele (1890 - 1918). Ainda no terreno da pintura, é possível lembrar o nome do suíço Ferdinand Hodler (1853 - 1918) os pintores integrantes do grupo belga Les Vingt (Les XX) - James Ensor (1860 - 1949), Toorop e Van de Velde -; e o inglês Aubrey Vincent Beardsley (1872 - 1898), ilustrador, entre outros, da versão inglesa de Salomé, de Oscar Wilde (1854 - 1900). No Brasil, observam-se leituras e apropriações de aspectos do estilo art nouveau na arquitetura e na pintura decorativa. Em sintonia com o boom da borracha, 1850/1910, as cidades de Belém e Manaus assistem à incorporação de elementos do art nouveau, seja na residência de Antonio Faciola (decorada com peças de Gallé e outros artesãos franceses) seja naquela construída por Victor Maria da Silva, ambas em Belém.
Menos que um art nouveau típico, o estilo na região encontra-se mesclado às representações da natureza e do homem amazônicos, e aos grafismos da arte marajoara, como indicam as peças decorativas de Theodoro Braga (1872-1953) e os trabalhos do português Correia Dias (1893 - 1935). A casa de Braga em São Paulo, 1937, exemplifica as confluências entre o art nouveau e os motivos marajoaras.

Theodoro Braga

A Vila Penteado, prédio atualmente pertencente à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP -, na rua Maranhão, é considerada um dos mais representativos exemplares de art nouveau em São Paulo. Projetada pelo arquiteto Carlos Ekman (1866 - 1940), em 1902, a residência segue o padrão menos rebuscado do estilo sezession austríaco.
Victor Dubugras (1868 - 1933) é outro arquiteto notável pelas construções art nouveau que projeta na cidade, por exemplo, a casa da rua Marquês de Itu, número 80, ou a residência do doutor Horácio Sabino na avenida Paulista esquina com a rua Augusta, ou ainda a estação de ferro de Mairinque, São Paulo, 1906. No modernismo de 1922, os nomes dos artistas decoradores John Graz (1891 - 1980) e dos irmãos Regina Graz (1897 - 1973) e Antonio Gomide (1895 - 1967), todos alunos de Ferdinand Hodler, evidenciam influências do art nouveau no Brasil. No campo das artes gráficas, alguns trabalhos de Di Cavalcanti (1897 - 1976) - Projeto para Cartaz (Carnaval), s.d. e de J. Carlos (1884 - 1950) - por exemplo, as aquarelas Um Suicídio, 1914, e Garota na Onda, s.d. - se beneficiam do vocabulário formal da "arte nova".As Amazonas, de John Graz

vitral de Antônio Gomide
mural de Di Cavalcanti

O Art Nouveau é importante para o artista gráfico por causa do estilo que fixa a página impressa; por sua influência na criação de formatos de letras e de marcas comerciais; por sua criação e primeiro desenvolvimento dos modernos posters. O design gráfico foi também influenciado pela contribuição do Art Nouveau, relacionando as áreas da moda, de tecidos e mobílias, da mesma forma que o design de objetos populares, como vasos e lamparinas Tiffany, artigos de vidro Lalique e estampas Liberty.
estampa Liberty
Da mesma maneira que muitas outras inovações do design, os modernos posters tornaram-se viáveis em decorrência de uma inovação técnica. A litografia colorida tornou-se disponível ao final do século XIX, possibilitando aos artistas trabalhar direto na pedra, sem as restrições retilíneas da impressão tipográfica. Outra influência que inspirou o uso livre do espaço foi a súbita popularidade das estampas japonesas.
É fácil para os designers educados a sombra do Bauhaus e do Estilo Internacional rejeitar o Art Nouveau como um exagero gráfico que nega os princípios básicos do design contemporâneo. Todavia, a decoração é uma influência persistente na comunicação visual e no design gráfico. Basta lançar um olhar, vinte anos mais tarde, ao movimento Art Déco, para encontrar uma sequência dessa alternativa puramente ornamental do design.
Embora o Art Nouveau seja uma manifestação típica do século XIX, podem-se encontrar traços desse movimento nos layouts tipográficos dos anos 60 e mesmo da década de 70.
Os trabalhados caracteres da família de tipos Bookman, o arrendodado da família Cooper Black




e o renascimento de alfabetos antigos e ornamentados, tornando possível pela fotoletra e fotocomposição, tudo isso torna evidente a persistente influência do estilo decorativo.
Art Nouveau
Meu estilo preferido

4 comentários:

Fifi Flowers disse...

FABULOUS POST! LOVE THIS ART!

Yes... you can work in my Paris Shop! Enjoy your weekend... Fifi

Anne disse...

Aninha,

Estou sem palavras! Mas ensaio: simplesmente MARAVILHOSO.
Bjs,
Anne.

Rita Celina disse...

Nossa,norilha!! Como és entendida em Art Nouveau! Aliás, como decoradora deves estar "por dentro" de tudo o que acontece no mundo das artes e da decoração. Parabéns, minha querida, estou aprendendo muita coisa contigo. Acho que teu blog é sempre a aula de algum assunto, assim como o do "filosofodepijama".Beijos.
Sogrinha

Mina disse...

Adorei o conteúdo, mas principalmente a seleção de imagens que vc fez de Art Nouveau. Ficou perfeitamente claro o conceito.