sábado, 6 de dezembro de 2008

A beleza de Coco Chanel


Ela encarnou o símbolo de elegância e de feminilidade do século passado mostrando às mulheres uma nova visão de luxo que perdura até hoje.
Gabrielle Chanel é uma das personalidades do mundo da moda que mais se destacaram em toda a história. Em seus 87 anos de vida, ela mudou toda a concepção da moda feminina, arrancando de vez os espartilhos e propondo uma roupa prática e elegante, que dispensava a ajuda de criados para vestir, fato muito comum no início do século XX.
Criou o pretinho básico, indispensável no guarda-roupa de qualquer mulher e trouxe para a moda as bijuterias, em lugar das pesadas jóias.Todo o sucesso alcançado por Coco Chanel, como era conhecida, não foi por acaso. Desde cedo, ao perder a mãe e ser deixada pelo pai num orfanato, percebeu que a única maneira de vencer na vida seria à custa de muito trabalho. Nessa época, o destino da mulher não previa muitas possibilidades de escolha: arranjar um marido, um amante ou tornar-se artista.
Decidiu arranjar um amante que pudesse lhe oferecer uma nova vida, já que sua tentativa de cantora na juventude não tinha dado muito resultado.

Chanel foi cantora de cabaré à noite enquanto trabalhava durante o dia numa loja de tecidos, mas logo percebeu que não poderia ir longe com as duas únicas músicas que sabia cantar:Ko ko ri ko e Qui a vu Coco? Da sua curta carreira de cantora, recebeu o apelido pela qual seria conhecida pelo resto da vida: Coco.

Sua carreira na moda começou no ramo de chapéus. Com 25 anos, conheceu Étienne Balsan, um jovem oficial de família rica que se tornou seu amante e a apresentou ao mundo dos ricos. Ele a instalou em seu castelo em Royallieu, perto de Paris.

O estilo de vida do campo e o contato com os cavalariços de Balsan influenciaram a futura estilista que acabou se tornando uma excelente amazona. Vestia-se com as roupas do amante e passou a usar chapéus de palha canotier adornados apenas com laço contrastando com os chapéus enormes e decorados usados na época.

Os chapéus chamaram a atenção de suas amigas que encomendaram-lhe alguns com mais adereços.Por meio de Étienne, Chanel conheceu o grande amor de de sua vida, Boy Capel, um rico negociante inglês que a incentivou a abrir seu próprio negócio.
Em 1910, inaugurou a chapelaria Chanel Mode na rue Cambon, n. 21, endereço de onde nunca mais saiu. Em 1913, abriu uma loja no balneário de Deauville e, em 1915, em Biarritz.

A primeira loja
Nascia a marca Chanel
O tradicional e reconhecido logotipo da marca CHANEL com dois “C” entrelaçados (Double C) foi criado pela própria estilista e deriva de seu nome “Coco Chanel”. O logotipo somente foi registrado como marca depois da abertura de suas lojas.

Maison Chanel na Rue Cambon , 31

A loja mais famosa da marca CHANEL está localizada em Paris no n.º 31 da Rue Cambon desde 1921. Foi neste endereço que Coco Chanel abriu sua primeira boutique. Este endereço, onde Coco morou anos, é atualmente o Headquarters (espécie de quartel-general) da marca e uma grande atração turística da cidade mais chique do mundo. A loja é totalmente diferente de todas as outras. O aroma exclusivo do perfume nº 5 saúda os visitantes. Não há sequer uma mercadoria exposta. O cliente tem que pedir o que desejar. Além da loja, há uma espécie de museu na parte de cima.

Maison Chanel, Place Vendome, Paris

A loja, além de chapéus, oferecia roupas apropriadas para a vida à beira-mar inspiradas no iatismo. Os blusões, casacos de lã marinho tipo jaquetão e os maiôs listrados aliavam conforto e elegância usando materiais como a malha e o jérsei, antes associados a confecção de peças íntimas.A inspiração para a criação de suas peças tinha sempre a ver com seu gosto pessoal e com o que ela tinha vontade de usar.

As referências vinham sempre do guarda-roupa masculino sem deixar de lado a praticidade e o conforto, já que era uma mulher que gostava de montar a cavalo. Em 1916, Chanel começou a fazer tailleurs em jérsei. As saias ficavam um pouco acima da altura do calcanhar e os casacos 3/4 eram soltos, com bolsos e uma faixa ao redor da cintura. Usava-se uma blusa por baixo, coordenada com o tailleur. A Harper’s Bazaar o definiu-se como o “charmoso vestido camisa’, o chemise.

Imagem via Ignez Ferraz

Chanel em foto de 1929. Driblando a falta de matérias-primas ainda existente no entre-guerras, vestia-se com peças que seriam ícones e a transformariam em mito: o tailleur, a malha de jérsei, a jóia-fantasia e o sapato com ponteira, criando o estilo “chique pobre”.

Com a Primeira Guerra, a ostentação saiu de moda e as peças simples de Chanel se tornaram uma espécie de uniforme. Sua clientela se expandiu de maneira surpreendente. Ainda em 1916, a mesma Harper’s Bazaar foi taxativa ao mencionar a ainda quase desconhecida costureira: “A mulher que não tem pelo menos um tailleur Chanel está desesperadamente fora da moda!” Seu prestígio só fez crescer durante a guerra.

Depois da guerra surgiram vários concorrentes entre Patou, Vionnet e Poiret, seu inimigo ferrenho, com quem teve discussões lendárias. Acirrando ainda mais a disputa, criou a moda a la garçonne traduzida por “como menino”, onde usava cabelos curtos e que acabou se tornando o visual da década. De todas as suas criações, a que parece cada vez mais atual e se tornou sinônimo máximo de elegância, apareceu em 1926 e foi comparado ao Ford pela Vogue: o vestido preto, também chamado de pretinho básico por ser prático, bonito e despretencioso.


O pretinho básico original, no acervo do Metropolitan Museum em New York
Imagem via Nossa Via
e o usado por Audrey

Seu estilo e suas criações se tornaram tão famosas que passaram a ser copiadas em todo o mundo. Para Mademoiselle Chanel, como gostava de ser chamada, a cópia de um de seus vestidos era o maior elogio que se podia fazer a ela, pois sua intenção era que a moda fosse acessível a todas as mulheres e não só às mais privilegiadas.

Para comemorar seus 40 anos, foi lançado seu primeiro perfume.



O perfume das estrelas

O perfume mais famoso do mundo foi criado por Ernest Beaux, famoso perfumista da época, a pedido de Coco Chanel, que sugeriu: "Um perfume de mulher com cheiro de mulher". Dentro de um frasco art déco, que foi incorporado à coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York em 1959 , o Chanel nº 5 foi o primeiro perfume sintético a levar o nome de um estilista. Revolucionando o mundo das fragrâncias, o perfumista utilizou em sua fórmula corpos sintéticos em proporções inéditas até então: eram mais de 65 substâncias em sua composição entre elas rosas, jasmins de Grasse, flores raras do oriente e sândalo, além da luxuosa essência do pau-rosa, árvore tropical ameaçada de extinção e que encantou os europeus desde o século XVIII por sua fragrância. O cinco era o seu número da sorte, tanto que Coco apresentou o perfume no dia 5 de maio de 1921, até hoje o perfume mais vendido em todo o mundo, atingindo cerca de 140 países.
Outra história conta que a estilista escolheu o número pois entre 10 amostras preparadas pelo perfumista a que mais lhe agradou foi a 5. O perfume alavancou seus negócios e se tornou legendário. Mas foi Marilyn Monroe quem tornou o perfume um verdadeiro sucesso. Ao ser entrevistada, perguntaram o que vestia para dormir. Marilyn respondeu: "Apenas algumas gotas de Chanel nº 5". Recentemente, em 2004, foi lançada a nova campanha do perfume estrelada pela atriz Nicole Kidman, o novo rosto do Chanel nº 5 para encarnar a elegância .

A campanha contou ainda com um mini filme de 2 minutos dirigidos pelo renomado Baz Luhrmann, de “Moulin Rouge”, que contava com Nicole Kidman e o brasileiro Rodrigo Santoro. O filme, orçado ao custo de US$ 20 milhões, conta a história de uma atriz que foge de fotógrafos em uma première e termina nos braços de um estranho escritor. Tudo embalado ao som da Orquestra Sinfônica de Sydney, que toca uma versão de “Clair De Lune” do compositor Claude Debussy.




A crise dos anos 30 e a Segunda Guerra Mundial transformaram Chanel numa pessoa amarga. Ela pressentia seu fim e se sentia traída pela imprensa que agora dava mais atenção a Schiaparelli. Com a declaração de guerra, despediu todos os seus colaboradores, fechou o atelier e refugiou-se na Suiça, para que os franceses esquecessem do seu romance com um oficial nazi e de onde pensou-se que nunca mais sairia. Chanel quando exilou-se na Suíça

De Lausanne, viu o triunfo de Dior e preparou sua volta.Em 5 de fevereiro de 1954, Chanel apresentou a jornalistas franceses e ingleses sua coleção de retorno. O que parecia, para eles, uma “retrospectiva triste e melancólica”, para Chanel era o futuro. Não desistiu e, quando apresentou a coleção de 1958 as francesas ficaram rendidas. A revista Elle escrevia em destaque: "Dez milhões de mulheres votam Chanel". Depois foi a continuação do sucesso, num mundo da moda que contava então com homens de peso como Dior, Balenciaga e Givenchy. Duas temporadas mais tarde, a imprensa norte americana a consagrou novamente por seu novo tailleur que se tornaria mais tarde a imagem da mulher clássica e elegante pelo resto do século.

Tailleur de tweed, bolsas de matelassé com correntes douradas, sapatos bicudos bicolores, colares com várias voltas de pérolas e camélias fizeram a imagem da nova mulher pela qual trabalhou até sua morte em 1971.

Gabrielle Chanel morreu em seu quarto no Hotel Ritz onde morava, perto da Rue Cambon, 21, local onde, 60 anos antes, abrira o seu salão e se situa a sede da casa Chanel até hoje.

Hotel Ritz

Coco Chanel nunca casou.

“Eu criei um estilo para um mundo inteiro. Vê-se em todas as lojas "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai da moda; Chanel não sai da moda”.

10 comentários:

Claudia Pimenta disse...

oi ana! chanel é top fashion icon... toujours!!! bjs!

Daniel Lucio Oliveira de Souza disse...

Bons tempos quando a gente (nós os homens) tinha grana pra dar o Chanel nº 5 de presente ...

Ana,
dei uma repaginada no último post, obrigado pelo 'coments'.

Daniel

The Skin Care Shop disse...

FUN post! Adore Coco Chanel!

Fifi Flowers disse...

I forgot that I was signed in as the skin care shop... oops... it is moi... Fifi that adores Coco! Great photo collection.
Enjoy your Sunday!
Fifi

Luiz Borges disse...

Lendo o teu blog senti até o perfume do Chanel n° 5...
Beijo

Luiz

Fabíola disse...

Já sentiu o Chanel Mademoiselle??? MARAVILHOSO!!!! É daqueles que a gente passa em situações bem especiais...
Beijosss!!!

Diz disse...

Eu não sabia que foi tão bonita! só conhecia fotos dela velha, lembra a Garbo.
Merci:)
Ótimo post. Vou divulgar.
abs,
Laura

Ana Maria disse...

Querida amiga,
Que viagem! Comecei com a Dolores Duran e a Noite do meu bem com Milton Nascimento e terminei com Chanel! São 3:00 da manhã de terça 29 e vou dormir feliz! Merci beaucoup! Bjs, Ana

Maria Augusta disse...

C'est vrai que Chanel est un style suivi jusqu'à nos jours, les créateurs de la Maison Chanel l'ont toujours respecté : chic et sobre!
Excelent ton post!
Bises.

Rosana disse...

Impressionante a história de Coco...inspiradora...Obrigada por ter existido e mostrado as mulheres e ao mundo que somos lindas e merecemos classe e estilo. Adorei a matéria.